E agora, Bitcoin? O halving acabou, a recompensa de mineração mingou, a blockchain não parou, a transação não barateou, e agora, Bitcoin?

O quarto halving do Bitcoin foi finalizado no bloco 840.000. Um dado interessante é que este bloco registrou as maiores taxas já pagas na história da rede, tornando-se o bloco mais dispendioso já minerado. Foram aproximadamente 37 Bitcoins, além da recompensa de 3.125 BTC, totalizando 40.7 BTC.

halving

No período próximo ao halving, o valor do Bitcoin permaneceu estável, sem grandes oscilações, atingindo o mínimo de US$ 62.953. Após o evento, o valor continuou operando lateralmente.

Entretanto, conforme Ana de Mattos, analista técnica e trader colaboradora da Ripio, analisando o gráfico de 4 horas, é perceptível uma área significativa de liquidez em torno de US$ 67.650. Essa área coincide com 0.618 da retração de Fibonacci, indicando que será um ponto de resistência no curto prazo.

Ela ressalta que se o valor do Bitcoin conseguir superar a resistência de US$ 67.650 com um volume de compras considerável, as próximas resistências estão nas extremidades do intervalo que vem sendo mantido desde 05/03, em US$ 70.700 e US$ 73.777.

“Se o valor do Bitcoin retomar a tendência de queda, os suportes de curto e médio prazo estão nas áreas de liquidez de US$ 59.700 e US$ 57.200”, afirmou.

Preço do Bitcoin pós halving

Taiamã Demaman, líder de pesquisa da Coinext, salienta que o impacto imediato do halving nos preços é transitório. Com a redução na recompensa pela mineração, parte dos mineradores desliga suas máquinas devido à falta de rentabilidade, o que resulta em uma diminuição no hashrate, geralmente levando a quedas momentâneas no preço do ativo. Isso ocorre porque os mineradores vendem seus Bitcoins para financiar a atualização de equipamentos mais eficientes ou para cobrir custos.

“Desde 25 de outubro de 2023, quando o preço do Bitcoin ultrapassou os 30 mil dólares, a posição dos mineradores em Bitcoins caiu em mais de 30 mil unidades, por exemplo”, afirma.

Entretanto, segundo ele, indicadores como o Hash Ribbon, que compara médias móveis de 30 e 60 dias, podem indicar quando a pressão de venda dos mineradores começa a diminuir, sinalizando uma possível recuperação nos preços do Bitcoin em uma janela média de 53 dias após o halving.

“Observamos que o preço do Bitcoin geralmente traz maiores retornos 365 dias após o halving em comparação aos 365 dias anteriores ao halving. Ou seja, mesmo com uma subida já expressiva, o que costuma vir depois do halving tem impacto maior no preço do ativo”, afirma.

Demaman destaca que outro ponto importante a ser compreendido neste momento é como esse mecanismo de emissão previsível e decrescente influenciará o preço do ativo no futuro. Considerando que mais de 19,6 milhões dos 21 milhões de Bitcoins disponíveis já foram emitidos e que o restante, cerca de 6,6% da oferta total, será emitido ao longo dos próximos 116 anos, o impacto de cada halving na oferta será cada vez mais reduzido.

“Uma vez que esse impacto da oferta é limitado e previsível, cabe ao investidor observar sobretudo as forças de mercado que movimentam a demanda. Uma dessas forças é o próprio halving, que também tem um efeito psicológico e que, ciclo após ciclo, traz novos investidores ao mercado. Esse movimento, em boa parte, vinha sendo precificado nos últimos meses e não terá efeitos de curto prazo, a não ser nas dinâmicas da mineração”, disse.

Mais importante que o halving de forma isolada, ele destaca que para entender o comportamento de preço do Bitcoin daqui para frente, é necessário observar indicadores dos fluxos de liquidez para o ativo, incluindo:

  • Capitalização de stablecoins, visto que o aumento na acumulação dessas moedas precede os investimentos em Bitcoin;
  • Dados macroeconômicos globais, especialmente dos EUA, que podem ajudar a prever as taxas de juros e, consequentemente, a entrada de capital em mercados mais voláteis;
  • Análise do sentimento dos investidores através de dados de contratos futuros e alavancagem, por exemplo;
  • Entrada de capital através de fundos, como ETFs, ou através de corretoras globais (spot).

“Vale notar, em relação ao primeiro indicador, que atualmente estamos em 50% da capitalização registrada no ciclo de 2021. Isso significa que uma injeção de meio bilhão no mercado por meio dessas moedas nos levaria ao patamar de 2021. Nesse sentido, é possível compreender o impacto que uma nova fonte de liquidez, como os ETFs, podem ter sobre o preço do Bitcoin – o que de fato estamos percebendo”, apontou.

Segundo ele, soma-se a isso o número de Bitcoins disponíveis em corretoras globais, que começou o ano com uma redução de 43% em relação ao início do bullmarket de 2017, ou seja, também há uma oferta de Bitcoins consideravelmente menor. E aqui não há mágica, é oferta e demanda: os dados, quando cruzados, indicam uma ampla margem para valorização.

“No entanto, é importante que os investidores entendam que continua sendo um mercado altamente volátil, especialmente em meio a incertezas globais relevantes, tanto econômicas quanto geopolíticas. Acompanhar os indicadores das principais economias e a evolução dos conflitos regionais deve ser um exercício contínuo. Afinal, não está claro se, em caso de uma crise generalizada, o Bitcoin seguiria a queda dos mercados tradicionais ou se comportaria como um ativo antifrágil”, finaliza.

Futuro do Bitcoin

Além do halving, na última sexta-feira (19), ocorreu a implementação de um novo protocolo chamado Runes na rede Bitcoin. Esta atualização tem potencial para gerar impactos positivos em toda a rede e possivelmente influenciar positivamente o preço do ativo no médio prazo.

“Com isso, estamos explorando também aplicações na blockchain do BTC que anteriormente eram realizadas em outros projetos, como Ethereum e Solana, o que resultava em taxas de transação mais elevadas, proporcionando uma remuneração mais vantajosa para os mineradores da rede. A atualização do Protocolo Runes representa um avanço significativo, oferecendo uma maneira eficiente e escalável de emitir tokens na rede Bitcoin, aumentando sua utilidade e atraindo usuários em busca de segurança e funcionalidade otimizada”, explicou Murilo Cortina, diretor comercial da QR Asset Management.

De acordo com análises de Cauê Oliveira, líder de análise on-chain do BlockTrends, durante o halving deste ano, a rede registrou a maior taxa de transação da história do Bitcoin, e quase 75% da recompensa dos mineradores veio das taxas durante o halving.

No entanto, essa atividade foi impulsionada pelo protocolo Runes, que possibilita a criação de tokens fungíveis no Bitcoin e foi programado para iniciar no bloco 840000, coincidindo com o halving deste ano. Cauê explica que a rede ficou agitada devido à novidade, oferecendo uma visão de como a rede Bitcoin funcionará no futuro.

“Devido à estreia do Runes, muitas pessoas buscaram ser as primeiras a emitir alguns tokens, exatamente durante o halving, o que elevou consideravelmente a taxa de transação, resultando em cerca de 75% da remuneração dos mineradores durante esse período. Isso nos dá uma ideia de como o Bitcoin operará quando a mineração não for mais possível ou se tornar muito custosa. A remuneração da rede será predominantemente proveniente das taxas de transação, garantindo a sustentabilidade da rede além da criação de novas moedas”, concluiu.

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